segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Santiago

Eis que me ataca uma dúvida cruel. São 7 horas da manhã e o despertador toca.Calço meu tênis de corrida e saiu. Apesar do meu esforço em correr cada vez mais rápido, a dúvida me persegue por todo o parque e igualmente cansada, sobe as escadas e volta comigo para casa. Ela se ducha na água morna sem pressão, e quando por um instante, penso que finalmente se foi pelo ralo junto com meus cabelos; é, justamente, ela que entra atrasada no metrô lotado.
A dúvida grita meu nome e finjo não escutá-la.
Então, ela grita mais alto e eu, constrangida e dividida entre Baquedado e Salvador, aumento o volume da música.
As portas do metrô se fecham e observo meu reflexo no vidro. Estou cansada. Pareço cansada. Lembro da noite passada e da tal dúvida cruel atacando meus pés gelados.
O metrô pára, abrem-se as portas e eu finalmente saiu. Ela segue ao meu lado e finalmente toma-me a mão. Eu desisto de fugir – ela rouba minha atenção e bebe meu café – e o dia passa.
Depois de tantas horas juntas, eu estou feliz com sua companhia e já não me lembro mais porque fugia. Rimos e dançamos no apartamento sem móveis.
E sem se despedir, ela some!
E no mesmo instante que some, eu abro uma caixa de texto e escrevo: Eis que me ataca uma dúvida cruel.

domingo, 15 de agosto de 2010

meu corpo de homem

Amo o corpo do homem que amo. Amo o espírito do homem que amo. Nao amo nenhum outro. Só um.
Amo um corpo que nao deseja meu corpo. Amo um espírito que já nao mais existe. Um espírito que virou poeira. A mesma poeira que entra pela janela e irrita meus olhos tristes. Estou sozinha. Sem o corpo que amo, sem o espírito. E é nesse instante que o ar acaba, o peito dói e a cabeça desiste.

terça-feira, 29 de junho de 2010

La extranjera II

Vuelvo al café que me odia.
Y él cuando me ve, grita:
- ¡La chica tonta!
Siento que tal vez una lagrimita
Quiera partir de mi ojo izquierdo.
Pero río.
Él se enoja. Grita más fuerte:
- ¡La chica tonta!
Yo río más fuerte.
Él se tira a mi camisa blanca.
Silencio.
La taza toca el piso.
El café se fue.
Mi camisa se fue.
Resta yo.
Tal vez con el pecho,
Por primera vez,
Cálido.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

15 minutos para cafe

Percebo que no Chile, minha vontade de amar é maior.
Fico feliz com isso, e por isso amo, sem pudor, a tudo que me cerca.
Amo inclusive, a alguém, que por nao me amar, me deixa.
Amo o vazio que isso me provoca, amo a maneira com que meu corpo fica mais sensível ao frio depois dele.
Do vazio.
Minhas maos seguem geladas. Talvez, ainda mais geladas.
E eu sigo a rua, sozinha.
Sigo contente.
Sigo.
"Quizás", na companhia de minha melhor versao.
Perguntam-me porque eu nao prefiro escrever a mao. É simples, nao existe nada mais perigoso que uma folha em branco. Guardo meus perigos para dias feios, no improviso de guardanapo. Quando tudo se assegura que o sentimento só existe enquanto cai a chuva.
Perguntam-me porque eu nao escrevo sobre meus amores. É simples, nao há nada mais previsivelmente fatal que palavras de um amor sincero.

terça-feira, 11 de maio de 2010

La chica tonta (corrigido)

Soy la extranjera,
Las personas no me quieren
No me hablan
Y cuando pido un café
Chiquitito
El propio café se molesta.
Y me dice:
- No te quiero tampoco.
Es muy chica,
Muy tonta.

Hay silencio.
Después lloro bajito.
Y cuando mi lagrima
Cae en la taza:
- Lloras niña tonta,
Lloras todo, sin parar,
Lloras hasta cuando pueda!

Hago lo que me dice
Y poco a poco
Mis lágrimas van
Cayendo…
La taza queda chica y
El café ahora es té.

domingo, 11 de abril de 2010

pelo caminho

Repouso meu corpo cansado da fuga em seu corpo. Deslizo meus dedos doloridos nos braços do homem a quem amei. Voltei.Sem querer voltar, errei. Ele me diz histórias já ditas, ele me beija o beijo já dado. E ainda assim, volto. Volto pelo caminho que conheço. Volto ao destino que pertenço.Cabeça baixa, ombros tristes, volto arrependida. Volto arrependida de voltar. Desejo morrer pela estrada, desejo sumir pelo caminho, desejo. Desejo pés tortos. Cegos. Mas meu corpo conhece seu destino, ele segue na mesma retidão que conheceu ao amar. Meu corpo não grita, não se agita, ele permanece. Encostado em outro corpo. Olhos de pérola naufragados no mar tranquilo que é meu destino. E num instante, recordo: Oh, sim, deu-me brincos de pérola no último verão.